Início dia 21 de Setembro de 2026
Introdução ao Pranayama
Tradição, filosofia e fisiologia da respiração
A respiração ocupa um lugar singular na experiência humana. É um processo vital que acontece espontaneamente ao longo de toda a vida e, ao mesmo tempo, pode ser conduzido de forma consciente. Na tradição do yoga, essa característica faz do pranayama uma das principais vias para o refinamento da atenção, da percepção e da relação entre corpo, energia e mente. Nas últimas décadas, a neurociência e a fisiologia respiratória também passaram a investigar como diferentes padrões respiratórios influenciam o sistema nervoso, a regulação emocional e diversos processos fisiológicos.
Este curso propõe uma introdução ao pranayama integrando esses dois olhares. Sua base está na tradição do yoga, apresentada a partir de seus textos e conceitos fundamentais, enquanto a ciência contemporânea oferece uma linguagem complementar para compreender parte dos mecanismos fisiológicos envolvidos na prática. Em vez de colocar esses campos em oposição, o curso busca mostrar como eles podem dialogar de maneira respeitosa, preservando a profundidade da tradição e reconhecendo as contribuições da pesquisa científica.
Ao longo de seis encontros, o percurso se desenvolve em torno de três eixos que se entrelaçam continuamente. O primeiro apresenta as raízes do pranayama nos textos clássicos e sua inserção no caminho do yoga. O segundo explora os principais conceitos filosóficos que sustentam essa prática — como samkhya, prakriti, gunas e koshas — oferecendo um mapa para compreender a experiência que se desenvolve durante a prática respiratória. O terceiro aborda a fisiologia da respiração e os mecanismos neurais atualmente estudados pela ciência contemplativa, estabelecendo pontos de aproximação com aquilo que a tradição observa há séculos.
A progressão prática acompanha esse percurso teórico. A cada encontro, novas técnicas são incorporadas às anteriores, permitindo que a prática se construa gradualmente, sem perder continuidade. O curso percorre os estágios da respiração completa, a respiração ressonante pelas duas narinas, a respiração por narina única, a respiração alternada em ritmo ressonante, Kapalabhati kriya, Bhramari e, por fim, uma introdução suave à retenção da respiração (antara kumbhaka).
Cada encontro articula teoria e prática em torno de um mesmo tema. Conceitos da anatomia sutil, como ida, pingala e os nadis, são apresentados quando passam a orientar diretamente as técnicas respiratórias. Da mesma forma, conteúdos relacionados ao sistema nervoso autônomo, ao nervo vago ou à fisiologia da respiração aparecem no momento em que ajudam a compreender a experiência vivida durante a prática.
O desenho das práticas também segue essa lógica de progressão. Em vez de permanecer longos períodos em uma única técnica, os exercícios são organizados em rodadas curtas, intercaladas por breves momentos de observação silenciosa. Essa alternância favorece a manutenção da atenção, especialmente para quem está iniciando o estudo do pranayama, ao mesmo tempo em que permite revisar continuamente os módulos aprendidos nas semanas anteriores. Ao final das seis semanas, cada participante terá construído uma sequência de prática, compreendendo não apenas como executar cada técnica, mas também quando utilizá-la, quais são seus objetivos e quais princípios tradicionais e fisiológicos sustentam sua aplicação.
Inicio 21 de Setembro
6 encontros online, sempre as segundas-feiras 17h30.
Apostila digital com os slides de cada encontro
Plataforma Online
6 aulas ao vivo via Zoom que ficam gravadas e disponíveis por 6 meses na plataforma online
Investimento
R$ 372,00
Programação
Fundamentos: o pranayama nas fontes tradicionais
De onde vem a prática — e para onde ela nos conduz
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Objetivos
- • Situar o pranayama no contexto dos oito membros do yoga (ashtanga) e reconhecer seu lugar nas principais fontes da tradição.
- • Compreender os fundamentos da mecânica respiratória e o mapa dos cinco koshas, que servirá de referência ao longo de todo o curso.
Conteúdo teórico
- • Etimologia e sentidos do termo: prāna (energia vital) e āyāma (expansão, extensão ou regulação), explorando as diferentes interpretações presentes na tradição.
- • O pranayama nos textos clássicos: os Yoga Sutras de Patañjali (II.49–53), que o apresentam como o quarto membro do yoga, e a Hatha Yoga Pradīpikā (capítulo 2), uma das principais referências para sua prática.
• Panorama do percurso das seis semanas: objetivos tradicionais do pranayama, progressão do mais evidente ao mais sutil e apresentação da sequência prática que será construída gradualmente ao longo do curso.
• Mecânica da respiração: anatomia respiratória, diafragma, músculos respiratórios e os padrões clavicular, torácico e diafragmático.
• Os cinco koshas: annamaya, pranamaya, manomaya, vijnanamaya e anandamaya — como um mapa tradicional para compreender as diferentes dimensões da experiência humana, situando o pranayama como prática voltada especialmente ao pranamaya kosha, com repercussões sobre o corpo físico e a mente.
Regulação fisiológica e respiração ressonante
Duas práticas fundamentais — um diálogo entre tradição e ciência
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Objetivos
• Compreender os mecanismos fisiológicos envolvidos na regulação da respiração e os fundamentos da respiração ressonante.
• Experimentar duas técnicas simples e seguras que possam ser incorporadas à prática cotidiana.
• Explorar os três gunas da filosofia samkhya como uma lente para observar diferentes estados de funcionamento do corpo e da mente.
Conteúdo teórico
• Regulação química da respiração: o papel dos quimiorreceptores centrais e periféricos, a sensibilidade ao CO₂ e ao O₂ e a singularidade da respiração como processo simultaneamente automático e voluntário.
• Respiração ressonante e variabilidade da frequência cardíaca: por que respirar em torno de 5,5 a 6 ciclos por minuto favorece a regulação do sistema nervoso autônomo e está associada ao aumento da variabilidade cardíaca. Apresentação de evidências provenientes de ensaio clínico randomizado (Chaitanya et al., 2022).
• Neurociência da respiração: como ritmo e padrão respiratório influenciam processos emocionais e cognitivos, à luz da revisão de Ashhad et al. (2022).
• Filosofia samkhya: purusha, prakriti e os três gunas — sattva, rajas e tamas — como um referencial para compreender diferentes estados de equilíbrio, ativação e inércia, estabelecendo aproximações com o funcionamento do sistema nervoso autônomo descrito pela fisiologia contemporânea.
• Breve panorama de pesquisas sobre formas avançadas de autorregulação fisiológica: incluindo estudos sobre ativação voluntária do sistema nervoso simpático e práticas tradicionais de aquecimento interno. O objetivo é situar essas investigações como um horizonte de pesquisa e aprofundamento, sem que constituam conteúdo prático deste curso introdutório.
Nadis, ida e pingala: o mapa energético da respiração
A anatomia sutil como guia para a prática respiratória
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Objetivos
• Explorar o sistema de nadis (ida, pingala e sushumna) e os prana vayus como parte da anatomia sutil descrita pela tradição do yoga.
• Compreender como esse mapa orienta as práticas de respiração por narina única e respiração alternada, aprofundando a percepção da relação entre respiração, atenção e estados internos.
Conteúdo teórico
• Os nadis e os prana vayus: apresentação de ida, pingala e sushumna, bem como dos cinco ventos vitais (prana, apana, samana, udana e vyana) e de suas funções na tradição do yoga.
• Ida e pingala na prática respiratória: por que a tradição associa a narina esquerda a qualidades mais receptivas e estabilizadoras e a narina direita a aspectos mais dinâmicos e ativadores, estabelecendo um diálogo com o ciclo nasal descrito pela fisiologia contemporânea.
• Os chakras como contexto da anatomia sutil: breve apresentação de seu papel na tradição tântrica, situando-os como um pano de fundo para compreender a circulação do prana, sem aprofundar esse tema, que extrapola os objetivos deste curso introdutório.
Sistema nervoso, nervo vago e Bhramari
Da resposta ao estresse ao recolhimento da atenção
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Objetivos
• Compreender aspectos fundamentais do sistema nervoso autônomo e o papel do nervo vago na regulação fisiológica.
• Vivenciar Bhramari como uma prática de regulação respiratória e introduzir shanmukhi mudra como primeira experiência de pratyahara.
• Conhecer Shitali e Sitkari como técnicas tradicionais de resfriamento e autorregulação.
Conteúdo teórico
• Sistema nervoso autônomo: organização dos sistemas simpático e parassimpático, com destaque para o nervo vago como uma das principais vias envolvidas na regulação fisiológica associada à respiração lenta.
• Respiração, vibração e regulação: por que práticas que prolongam a expiração e utilizam vibração sonora, como Bhramari, tendem a favorecer estados de maior equilíbrio fisiológico.
• Pratyahara: introdução ao quinto membro do ashtanga yoga, compreendido não apenas como um conceito filosófico, mas como uma experiência que começa a ser explorada através do shanmukhi mudra.
• Shitali e Sitkari: técnicas descritas na Haṭha Yoga Pradīpikā para promover sensação de resfriamento e favorecer estados de tranquilidade, tradicionalmente associadas ao equilíbrio de pitta.
Kapalabhati: kriya da ativação consciente
Quando diferentes estados pedem diferentes caminhos
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Objetivos
• Compreender o lugar de Kapalabhati entre as shatkriyas e reconhecer por que essa prática, embora frequentemente ensinada junto ao pranayama, possui características próprias.
• Vivenciar Kapalabhati com segurança, compreendendo quando uma prática mais ativadora pode favorecer a autorregulação.
• Integrar os módulos já aprendidos em uma sequência progressivamente mais fluida e coerente.
Conteúdo teórico
• As shatkriyas (shatkarmas): panorama das seis práticas clássicas de purificação e o lugar de Kapalabhati dentro dessa tradição. Diferentemente dos pranayamas propriamente ditos, trata-se de uma kriya, caracterizada pela expiração ativa e pela inspiração passiva.
• Mecânica de Kapalabhati: organização do movimento abdominal, ritmo respiratório e coordenação entre bombeamento e relaxamento.
• Diferentes portas de entrada para a autorregulação: embora a respiração lenta seja frequentemente associada ao relaxamento, alguns estados de dispersão ou letargia respondem melhor a uma ativação inicial antes do retorno a padrões respiratórios mais lentos.
• Segurança na prática: principais contraindicações, incluindo gestação, cirurgia abdominal recente, hérnia, glaucoma, hipertensão arterial não controlada, logo após refeições, durante a menstruação e outras situações em que a prática deve ser evitada ou adaptada.
Integração, continuidade e o caminho da prática
Uma sequência construída ao longo de seis semanas
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Objetivos
• Refletir sobre os obstáculos clássicos à continuidade da prática e construir critérios para uma prática pessoal sustentável.
• Integrar, em uma única sequência, os diferentes módulos desenvolvidos ao longo do curso.
• Conhecer a retenção suave da respiração (antara kumbhaka) como um primeiro contato com essa dimensão do pranayama.
• Apresentar Bhastrika como uma possibilidade de aprofundamento para praticantes mais experientes.
Conteúdo teórico
• Os antarayas descritos por Patañjali: obstáculos que surgem no caminho da prática e estratégias para reconhecê-los no cotidiano.
• Construção de uma prática pessoal: critérios simples para escolher diferentes recursos respiratórios conforme a necessidade do momento, respeitando objetivos, limites e contexto de cada praticante.
• Kumbhaka: significado tradicional da retenção da respiração, distinção entre antara e bahya kumbhaka e razões para iniciar pela retenção após a inspiração, em sua forma mais suave e confortável.
• Bhastrika: princípios da técnica, diferenças em relação a Kapalabhati e critérios para sua utilização.
• Segurança na retenção e em Bhastrika: revisão das principais contraindicações e do princípio que orienta toda a prática respiratória apresentada ao longo do curso: a respiração nunca deve ser sustentada à custa de esforço ou desconforto.
• Caminhos de aprofundamento: breve panorama sobre práticas que permanecem fora do escopo desta formação — bahya kumbhaka, bandhas e mudras mais avançados — como possibilidades para estudos futuros.
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Monica Ryff Moreira Roca Vianna
Professora de Pranayama certificada pelo Yoga Education College Níveis 1, 2 e 3. Graduação, mestrado e doutorado em Ciências Biológicas pela UFRGS.